A vingança é o sentimento mais humano que existe. Está presente em toda a nossa vida, à todo momento. Tanto nos momentos mais singelos, como na hora em que alguém lhe trata com má educação, quanto nos mais cruéis e significativos, quando alguém ameaça alguém que tu amas. Todos, absolutamente, sem exceções, estão sujeitos ao estigma da vingança. Talvez pessoas espiritualmente superiores já estejam mais desprendidas desse mal, mas com certeza a grande maioria ainda padece com o sentimento mesquinho. Mas o que leva o ser humano a infringir algo mesmo em alguém que ama? Pela mais pura bobagem? Na verdade, é a preservação, tanto de si mesmo, quanto do sentimento em jogo (amor, dignidade, honra etc).
Se você infringe alguém que ama, é porquê está numa tentativa desesperada de causar dano até certo ponto que você espera que a pessoa perceba que aquele ato realizado pela pessoa que sofre a vingança, que a antecedeu, não é algo válido de se acontecer. O mesmo vale na vingança pela honra. A pessoa que age impulsionada pela emoção de algo ruim que lhe aconteça ou à sua família ou por quem tem grande consideração, age pela sua preservação, pela tentativa de fazer com que o próximo perceba que àquela atitude tomada não é algo válido, aceito pelo "código de honra" que cada particular possui. Essas divagações nos fazem crer que somos apenas animais evoluídos, movidos por sentimentos primitivos que acabam mascarados no mundo moderno atual.
O próprio Código Penal brasileiro considera uma atenuante de diversos crimes a pessoa "que age impelida por forte emoção após injusta provocação". ou seja, aquele que age por vingança, depois de provocação à qual foi submetida e que pelo seu juízo de valores mundanos não é aprovado por seu discernimento.
Cheguemos então à conclusão que o mais mesquinho e primitivo dos sentimentos remete apenas à outro sentimento primitivo, à nossa natureza fraterna e preservativa da espécie ou, no caso do mundo moderno, de nossos entes queridos, por quem temos grande afeto e consideração. Em outras palavras, daqueles que amamos.
Dedicado à Carime Miranda Abdon, com muito amor.
segunda-feira, 6 de outubro de 2008
sexta-feira, 3 de outubro de 2008
Aspectos
É muito engraçada aquela máxima pregada no Brasil e apimentada pelas esquerdas tropicais de que a culpa da existência de ampla desigualdade no país é sempre das elite (sic). Pois bem, faz tudo parte de uma mentalidade cultural coletiva que é resumida em uma frase: trabalhar é feio.
Neste país, quem estuda e trabalha, e assim consegue um lugar a ostentar na carreira profissional, é sempre malvisto e colocado como culpado de existir desigualdade. Isso provém muito também do ponto de vista implantado nas mentes da massa brasileira de que a culpa de existir desigualdade pobre/rico e branco/negro é de "quem tem dinheiro".
Culpam até a "elite branca", talvez uma referência chula e mal colocada a "W.A.S.P.", a elite branca dos Estados Unidos, que é a sigla para "White Anglo-Saxon and Protestant". Nos EUA, há um problema de discriminação racial imenso, o que talvez justifique essa sigla inventada pelos brancos da elite norte-americana do século XX, e que tinha por objetivo a discriminação até da imigração irlandesa e italiana, além dos negros, nos EUA.
Como tudo vira sacanagem no país da sacanagem, esse termo foi "furtado" por algum revolucionário espertalhão para designar de forma chocante e pesada as "elites dominadoras do país". Essas elites brancas nada mais são do que descendentes da imigração européia que ocorreu no Brasil nos séculos XIX e XX. Portugueses, espanhóis, italianos e alemães, principalmente, foram os que chegaram ao país, com o objetivo de buscar uma melhor condição de vida.
O espertalhão aí citado, não se lembrou que todos os imigrantes vieram com o objetivo de colonizar o país, trazidos pelo governo brasileiro para este fim. Depois, todos eram parte de uma classe esquecida em seu país de origem. Muitos eram ignorantes e com pouca instrução, mas todos sabiam um ofício e tinham uma mentalidade diferente da apregoada nas terras brasilianas. Todos vieram com o único intuito de trabalhar, trabalhar, e trabalhar mais, bem diferente do brasileiro médio, já estabelecido por aqui.
Dessa maneira, os mulatos, negros, mamelucos, e brancos brasileiros, que aqui já estavam, acabaram por ficar em segundo plano, em um âmbito geral, enquanto que os imigrantes prosperavam, criando o panorama atual das "elites brancas" brasileiras.
Em outros países mais desenvolvidos, a produção acadêmica e tecnológica é fomentada com incentivos que começam desde a escola, com premiações e gratificações para os alunos mais esforçados. No nosso quase desenvolvido estado brasilis, quem estuda mais na escola é visto como "CDF", um apelido pejorativo que visa uma espécie de segregação social escolar, segregando os alunos mais esforçados dos demais, como se estes não fossem dignos de possuir vida socialmente ativa no ambiente escolar. Digo isso, pois vi, nos anos 90, enquanto estudante de ensino fundamental, como se passa este processo.
Dessa maneira, o indivíduo cresce com a mentalidade de que, para ser bom visto, tem que se esperto. Ou seja, pra tudo se dá um jeitinho, aquele mesmo pregado como característica sócio-cultural brasileira e "cool" por excelência. Aí que reside talvez o pior mal do brasileiro: é bom quem é esperto.
Neste país, quem é inteligente, estudioso ou bem sucedido, é mal visto. É factível colocar isso como parte de uma gigantesca mentalidade coletiva que abrange um histórico que remete aos tempos da Colonização e que tem efeitos e raízes nos mais diversos e inimagináveis fatores que contribuíram para a criação do estado brasileiro.
No Brasil, não se premia esforços, não se incentiva produção acadêmica nem a pesquisa de campo, não há incentivo a produção tecnológica, não é válido estudar, não é bonito ser bem sucedido. Dá pra colocar até como o "país dos excêntricos".
O Brasil talvez seja também um dos únicos países do mundo onde é bonito ser pobre. Onde um presidente da república, líder do poder executivo, tem orgulho em dizer que não tem estudo. Onde pobre tem orgulho de ser pobre e não lutar para mudar isso.
E quer saber, eu sou brasileiro e já desisti.
Neste país, quem estuda e trabalha, e assim consegue um lugar a ostentar na carreira profissional, é sempre malvisto e colocado como culpado de existir desigualdade. Isso provém muito também do ponto de vista implantado nas mentes da massa brasileira de que a culpa de existir desigualdade pobre/rico e branco/negro é de "quem tem dinheiro".
Culpam até a "elite branca", talvez uma referência chula e mal colocada a "W.A.S.P.", a elite branca dos Estados Unidos, que é a sigla para "White Anglo-Saxon and Protestant". Nos EUA, há um problema de discriminação racial imenso, o que talvez justifique essa sigla inventada pelos brancos da elite norte-americana do século XX, e que tinha por objetivo a discriminação até da imigração irlandesa e italiana, além dos negros, nos EUA.
Como tudo vira sacanagem no país da sacanagem, esse termo foi "furtado" por algum revolucionário espertalhão para designar de forma chocante e pesada as "elites dominadoras do país". Essas elites brancas nada mais são do que descendentes da imigração européia que ocorreu no Brasil nos séculos XIX e XX. Portugueses, espanhóis, italianos e alemães, principalmente, foram os que chegaram ao país, com o objetivo de buscar uma melhor condição de vida.
O espertalhão aí citado, não se lembrou que todos os imigrantes vieram com o objetivo de colonizar o país, trazidos pelo governo brasileiro para este fim. Depois, todos eram parte de uma classe esquecida em seu país de origem. Muitos eram ignorantes e com pouca instrução, mas todos sabiam um ofício e tinham uma mentalidade diferente da apregoada nas terras brasilianas. Todos vieram com o único intuito de trabalhar, trabalhar, e trabalhar mais, bem diferente do brasileiro médio, já estabelecido por aqui.
Dessa maneira, os mulatos, negros, mamelucos, e brancos brasileiros, que aqui já estavam, acabaram por ficar em segundo plano, em um âmbito geral, enquanto que os imigrantes prosperavam, criando o panorama atual das "elites brancas" brasileiras.
Em outros países mais desenvolvidos, a produção acadêmica e tecnológica é fomentada com incentivos que começam desde a escola, com premiações e gratificações para os alunos mais esforçados. No nosso quase desenvolvido estado brasilis, quem estuda mais na escola é visto como "CDF", um apelido pejorativo que visa uma espécie de segregação social escolar, segregando os alunos mais esforçados dos demais, como se estes não fossem dignos de possuir vida socialmente ativa no ambiente escolar. Digo isso, pois vi, nos anos 90, enquanto estudante de ensino fundamental, como se passa este processo.
Dessa maneira, o indivíduo cresce com a mentalidade de que, para ser bom visto, tem que se esperto. Ou seja, pra tudo se dá um jeitinho, aquele mesmo pregado como característica sócio-cultural brasileira e "cool" por excelência. Aí que reside talvez o pior mal do brasileiro: é bom quem é esperto.
Neste país, quem é inteligente, estudioso ou bem sucedido, é mal visto. É factível colocar isso como parte de uma gigantesca mentalidade coletiva que abrange um histórico que remete aos tempos da Colonização e que tem efeitos e raízes nos mais diversos e inimagináveis fatores que contribuíram para a criação do estado brasileiro.
No Brasil, não se premia esforços, não se incentiva produção acadêmica nem a pesquisa de campo, não há incentivo a produção tecnológica, não é válido estudar, não é bonito ser bem sucedido. Dá pra colocar até como o "país dos excêntricos".
O Brasil talvez seja também um dos únicos países do mundo onde é bonito ser pobre. Onde um presidente da república, líder do poder executivo, tem orgulho em dizer que não tem estudo. Onde pobre tem orgulho de ser pobre e não lutar para mudar isso.
E quer saber, eu sou brasileiro e já desisti.
quarta-feira, 10 de setembro de 2008
Amor
És como a rosa que eu cheiro
como o chocolate que eu degusto
como o cigarro que fumo
como o álcool em minhas veias
és como o alimento que me sacia
como aroma que me encanta
como a beleza que me hipnotiza
como as paisagens que aprecio
és a ebriedade que me incendeia
és o fogo que arde em mim
és a parte que me completa
és como o amor que sinto por ti.
como o chocolate que eu degusto
como o cigarro que fumo
como o álcool em minhas veias
és como o alimento que me sacia
como aroma que me encanta
como a beleza que me hipnotiza
como as paisagens que aprecio
és a ebriedade que me incendeia
és o fogo que arde em mim
és a parte que me completa
és como o amor que sinto por ti.
quinta-feira, 4 de setembro de 2008
Sobre cigarros, macacos e converses.
A moda agora é o Hype. Moda não, o Hype agora é o Hype, porquê moda é termo antigo de fora-de-moda, ops, fora-de-hype. Agora em vez de imitar a tua bandinha favorita, que usa calças skinny e converses brancos sujos, tu fazes o hype. Tu inventas a moda. Tu defines conceitos. Ou melhor, tua bandinha favorita de calças skinny e converses brancos sujos define, o Hype, claro. Peraí, então quem dita o Hype são as bandas, como antes, e não você. É, isso mesmo, porquê o hype é um modismo? Não, o Hype é um Hype, só quem é Hype o é. Arctic Monkeys foi hype, isso mesmo, FOI. F-O-I. Não é mais. È desatualizado. É midiático. Faz sucesso, porquê hype é cult, e cult ninguém conhece. Caiu fora dos conceitos, zarpou, sacou? Tá, e o novo Hype, qual é? Ahhh, já sei, é a Amy, é, a Winehouse, aquela drogada maluca maltrapilha magrela com tatuagens que aparece por aí fumando crack. Ela dita a moda, ela é Hype. Todas as girls of London querem ser igual, com roupas toscas e simples e ar de puta. É, ar de puta mesmo. Então, assim dá pra concluir mais ou menos o que é um Hype. Mais ou menos porquê se todo mundo soubesse ia deixar de ser cult. Um novo conceito besta inventado por bestas que querem ser Hype, além de descoladinhos de calças skinny e converses brancos cults que fumam cigarros enquanto assistem filmes da Nouvelle Vague e fazem caras idiotas.
Reflitam.
Reflitam.
quinta-feira, 28 de agosto de 2008
Ode ao desabafo
Não, eu não sou. Eu não faço parte dos seus conceitos modísticos oito ou oitenta. Não me classifico dentro de uma pré-determinação formada. Não faço parte da massa que insiste em se auto-estereotipar. Não formo minha opinião de acordo com a opinião geral. Não me coloco como uma árvore plantada em um jardim planejado. Não sou aquilo que você quer que eu seja. Talvez o problema seja você. Porque eu, sou apenas eu mesmo.
sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008
Título Original: Paris, Je T'Aime
Gênero: Drama
Tempo de Duração: 116 minutos
Ano de Lançamento (França / Alemanha / Liechstenstein / Suíça): 2006
Site Oficial: www.parisjetaime-lefilm.com
Paris Je'taime é uma coleção de curtas feitos por diversos diretores conhecidos mundialmente, lançado em 2006. Participam do filme diretores conhecidos como Alfonso Cuarón, Gus Van Saint e até Walter Salles, filmando o amor presente cotidiano de Paris de pessoas de diversos segmentos sociais, classes e etnias. Alguns atores também conhecidos também participam, como Willen Dafoe, Nick Nolte, Elijah Wood e Natalie Portman. É legal também pela visão "cotidiana" mostrada em cada curta, como histórias paralelas que se desenrolam diariamente na capital francesa, sempre destacando o lado inspirador e fraterno da própria cidade e de seus habitantes.
Alguns curtas se destacam com mais brio, outros não impressionam, mas o que vale é a mensagem de que o amor está presente em todos os cantos de Paris.
quinta-feira, 10 de janeiro de 2008
Filme
Scoop - O Grande Furo (Woody Allen)
Título Original: Scoop
Gênero: Comédia
Tempo de Duração: 96 minutos
Ano de Lançamento (EUA / Inglaterra): 2006
Elenco
Hugh Jackman (Peter Lyman)
Scarlett Johansson (Sondra Pransky)
Woody Allen (Sidney "Splendini" Waterman)
Ian McShane (Joe Strombel)
Fenella Woolgar (Jane Cook)
Romola Garai (Vivian)
Não vi muitos filmes de Woody Allen, mas confesso que logo de cara percebi a qualidade do diretor. Scoop não é mais um deste filmes de comédia que não valem nem o dinheiro pago na locação. Aliás, só a atuação de Woody Allen como o mágico Splendini já vale. Ele está fantástico, colocando em primeiro plano um personagem que normalmente ficaria à sombra da atriz principal, Scarlet Johansson. Esta, como a jornalista Sondra Pransky, junto com Hugh Jackman, que interpreta o aristocrata Peter Lyman, fazem um par e promovem uma boa atuação em busca do assassino do tarô em Londres.
Scoop é daqueles filmes que não caem na mesmice, com belos cenários na Inglaterra, boa fotografia e um orçamento relativamente baixo, de US$ 4 milhões de dólares. Um filme inteligente que vai direto ao ponto em que é proposto, sem enrolação e com boas atuações. Fica a dica pra assistir.
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